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Uso de ocitocina em rebanhos leiteiros na Fazenda Santa Luzia

Sabemos que o uso da ocitocina se tornou uma prática bastante comum nos rebanhos leiteiros do Brasil, em substituição à presença do bezerro ao pé no momento da ordenha, principalmente em rebanhos girolando.

A ocitocina é um hormônio natural produzido na hipófise e é responsável, entre outras ações, p or promover a “descida” do leite. Em condições adequadas, estímulos positivos como a entrada na vaca na sala de ordenha, som da bomba de vácuo, presença do bezerro, contato da mão do ordenhador no teto do animal, promovem estímulos neurais que vão ate o cérebro do animal promovendo a liberação de ocitocina na circulação sanguínea, desencadeando todo o processo normal de descida do leite. A ocitocina tem um efeito muito rápido, 5 a 6 minutos, sendo rapidamente metabolizada pelo organismo. Por isso é importante fazer uma ordenha rápida e de qualidade. Em condições de estresse ao animal, a liberação de ocitocina é interrompida.

À medida em que os rebanhos leiteiros foram crescendo, o manejo com bezerros ao pé, se tornou uma prática muito trabalhosa e complexa, favorecendo a substituição da presença do bezerro no momento da ordenha, pelo uso da ocitocina, e isso tem acarretado uma piora gradativa das rotinas de ordenha, uma vez que, de toda forma, a vaca desce o leite. O uso regular da ocitocina apresenta também algumas desvantagens como:

1 - Custo significativo (medicamento, seringas, agulhas, desinfetantes).
2 - Estresse ao animal e maior tempo de ordenha.
3 - Risco de disseminação de doenças dentro do rebanho.
4 - Infecção local, flebite, abscessos etc.
5 - Desvalorização comercial do animal.
6 - Septicemia e morte do animal, entre outros.

Fazendo uma análise mais profunda do processo, a Fazenda Santa Luzia decidiu que iria abolir a prática do uso diário da ocitocina e passou a fazer um planejamento das etapas que teria que percorrer para que tal decisão tivesse o sucesso esperado, e é isto que descreveremos a seguir.

A primeira e a mais importante ação, foi debater exaustivamente com os colaboradores a necessidade e importância de realizar tal fato, até conseguir a adesão de toda a equipe. O segundo passo foi fazer uma análise mais detalhada dos animais que realmente necessitavam do uso da ocitocina para descida do leite. Ao fazer esta avaliação mais criteriosa, percebeu-se que muitas vacas desciam o leite independente da aplicação do medicamento, e estimulou-se o não uso da ocitocina em todos os animais e só recebiam a ocitocina as vacas que realmente não desciam leite após a fase de preparo. Após uma semana de avaliação percebeu que apenas 66 das 400 v acas, r ealmente n ecessitavam t omar o citocina. Este grupo foi então separado e trabalhado num manejo diferenciado.

A partir deste momento foi redefinido vários procedimentos operacionais, implementando “Boas Praticas de Manejo” na sala de ordenha, com o objetivo de minimizar as condições de estresse ao animal, e as principais foram:

1 - Eliminação do uso do portão de aproximação (Choque e som).
2 - Proibição do uso de ferramentas aversivas para condução dos animais.
3 - Isolamento da sala de ordenha eliminando os estímulos externos (Proibição da entrada de pessoas externas e aumento da altura das paredes para evitar visão externa.
4 - Melhoria no conforto da sala de espera para refrescamento dos animais (nebulização e ventilação).
5 - Padronização da rotina de ordenha, com ênfase na pré ordenha (pré diping, retirada dos primeiros jatos e secagem dos tetos) fazendo um massageamento dos tetos passando a ser o principal fator de estímulo para promover a liberação natural da ocitocina endógena.
6 - Entre outras boas práticas.

Gradativamente estas práticas resultaram em diminuição do tempo de ordenha em +/- 1 hora principalmente pela entrada e saída mais rápida dos animais na sala de ordenha, além da descida mais rápida do leite pela adoção das boas práticas. Não houve perda de produção, exceto nas vacas adultas com del (dias em leite) muito alto, pelo contrário, nas vacas que estão parindo já neste novo procedimento, tem -se percebido uma melhora na produtividade.

Outro fator importante foi a melhoria nos itens de qualidade de leite, principalmente CCS e CTM.

Motivados pelo sucesso desta empreitada, a Fazenda passou a implementar gradativamente outras práticas de manejo racional, principalmente nos bezerros em aleitamento e nas novilhas prenhas, preparando- as para o parto.

Todo este trabalho foi desenvolvido dentro da técnica, implementando conceitos de doma racional trazidos pelo profissional Nilson Dornelas e pelo Grupo Etico da Unesp de Jaboticabal, tendo sido inclusive objeto de estudo de um trabalho de mestrado.

As novilhas prenhas passam por um treinamento específico, “Escolinha” por uma semana, onde um profissional qualificado, implementa as práticas de amansação estabelecidas no manual, e na sequencia até o parto, faz-se o treinamento diário na sala de ordenha para adptá-las ao novo manejo. Todos estes procedimentos estão perfeitamente estabelecidos no manual de procedimentos operacionais (POPs), desenvolvido pela Santa Luzia, bem como para as outras etapas como maternidade, bezerreiro e ordenha.

Uso de ocitocina em rebanhos leiteiros na Fazenda Santa Luzia

 

O resultado da adoção destas Boas Práticas de Manejo, tem trazido grandes contribuições ao sistema de produção da Santa Luzia como um todo, entre as principais podemos destacar:

1 - Aumento do bem estar dos animais (menos estresse)
2 - Melhoria das condições de trabalho dos funcionários (menor tempo de ordenha, menos coice e menor risco de acidentes)
3 - Diminuição dos custos (medicamentos e utensílios)
4 - Aumento da produção de leite principalmente nas novilhas
5 - Melhor desempenho das bezerras (ganho de peso e saúde)
6 - Diminuição das perdas em geral (animais e insumos)
7 - Filosofia inovadora melhorando sobremaneira a autoestima dos colaboradores.

“As mudanças acontecem a partir do estabelecimento de objetivos específicos, pelo Conhecimento das Técnicas, pelo Planejamento das ações necessárias e pela Adoção das Boas Práticas de Manejo, resultando num maior desempenho zootécnico e econômico da atividade”, resume Deni Castro, gerente administrativo da Fazenda Santa Luzia.

Por Maurício Silveira Coelho ? Médico Veterinário

 

Por Maurício Silveira Coelho – Médico Veterinário

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